Em tempos de pandemia, sob a (necessária) quarentena do Coronavírius, um filme nacional de lobisomem uiva para a Lua atrás de sucesso: “As Boas Maneiras” terá exibição no Canal Brasil neste domingo, às 21h, quando será digno, uma vez mais, do adjetivo “obra-prima”, agora em sua apresentação na TV a cabo. Há nele uma precisão narrativa cirúrgica no exercício da tensão… na conversação com cartilhas clássicas (“Sangue de Pantera”) e modernas (“Grito de Horror”) do gênero sinistro no qual foi gerado… na edificação de viradas.
Rui Poças assina sua fotografia, cheia de marcas expressionistas, desta produção de DNA paulistano coroada com 32 prêmios no Brasil e no exterior. Consagrado com o troféu Redentor de Melhor filme do Festival do Rio de 2017, onde rendeu à brilhante Marjorie Estiano a láurea de Melhor Coadjuvante, o thriller sobrenatural de Juliana Rojas e Marco Dutra trouxe consigo lá da Suíça o Prêmio do Júri do Festival de Locarno e, lá da França, uma menção honrosa de Biarritz.
E cada vitória foi justa e necessária, a julgar pela mandinga que o bruxo Poças (mais ousado fotógrafo ibérico da atualidade) faz com a Lua Cheia, tendo a atriz – e que atriz! – Isabél Zuaa como cavalo para uma pombajira de múltiplas encruzilhadas. Diz o Caetano que, enquanto seu lobo não vem, “vamos passear na floresta escondida, meu amor; vamos passear na avenida; vamos passear nas veredas, no alto, meu amor; há uma cordilheira sob o asfalto”.