• 07/12/2019 - Crônica de Os Sete Afluentes do Rio Ota
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    Crônica de Os Sete Afluentes do Rio Ota

    Entre tantos por aí que desejam ser influentes, recebo da arte um convite para ser afluente. Enquanto o mundo valoriza a prática de influenciar, ser youtuber ou digital influencer e ser vocal para definir como os outros devem ser, a arte, especialmente a peça Os Sete Afluentes do Rio Ota de Robert Lepage, dirigida por Monique Gardenberg, se apresenta como um chamado para ser afluente, deixar o caminho construir-se organicamente.

    Como as águas de um rio simplesmente fluem, a vida de cada um de nós simplesmente acontece. As águas dos rios fazem curvas, arrastam pedras, transformam a paisagem, e as nossas vidas são atravessadas pelo externo, por guerras e doenças, transformam a natureza.

    Assim, ser afluente e não influente é permitir o desaguar da vida no mundo, é pôr-se no mundo como se é e compor com todos os outros um rio caudaloso de experiências que segue o curso da história humana.

    Os Sete Afluentes Do Rio Ota possibilita o reconhecimento do que em nós aflui à vida, do que de nós deságua em atos e emoções para criar o rio da existência. A jornada dos diversos personagens da peça aflui à experiência solitária do que é ser afetado pela mudança. E é solitária porque é única e ninguém pode viver nós.

    Entre bombas atômicas, genocídios e epidemias virais, as personagens nos contam a história da segunda metade do século XX em voltas aceleradas do símbolo de yin-yang, nas tensões entre guerra e paz, masculino e feminino, ocidente e oriente.

    Essas imagens complementares de yin e yang compõem muitos dos quadros apresentados ao longo das seis horas de duração do espetáculo (que acreditem, passam sem que se perceba). Como numa das primeiras cenas em que o militar americano, em pé com sua farda pesada, se encanta com a beleza da gueixa, sentada com seu leve quimono e seu rosto desfigurado pela explosão da bomba.

    Ao invés de armas, ele aponta para ela uma máquina fotográfica e registra sua beleza deitada no tatame como a de Vanessa Redgrave em Blow-up de Antonioni. Luciana Barone, pesquisadora da Unicamp, em sua tese de doutorado intitulada Sete Afluentes para Robert Lepage afirma que “a própria ideia do flash da máquina lembrava a explosão da bomba e a fotografia reveza seu papel, entre anteparo físico da memória e espelho que reflete o sujeito fotografado.”

    Então, o espetáculo é dividido em sete atos, como os sete afluentes do Rio, construído a partir de um épico transcultural, passando pela Hiroshima ocupada pós-hecatombe. Passando por campos nazistas em Praga; pela nova York revolucionária e musical dos anos 1960; a Amsterdã infectada pela Aids nos anos 1980; e de volta à Hiroshima reconstruída dos liberais anos 1990. E tudo se encerra com um trovão no ano 2000.

    No meio disso, uma das melhores sequências, se passa em Osaka, nos anos 1970, num jantar hilário em que o prato principal é a incomunicabilidade nossa de cada dia. O que nos impede de afluir ao outro. Não percam uma fala dessa cena, é tão deliciosamente confusa que me lembrou uma música do Moska que diz “eu já disse a vocês, essa dor sempre me ataca, dessa vez aconteceu por acaso em Osaka”.

    A presença de um tradutor em cena traz humor e revela o quanto nossos egos precisam de tradução quando defendemos pontos de vista tão veementes que não conseguimos enxergar o outro à nossa frente. Vale lembrar que este ato da peça foi ampliado para um filme, dirigido pelo próprio dramaturgo, chamado Nô em referência ao estilo teatral japonês que utiliza máscaras.

    E é assim: as personagens seguem o rio e vivem o ciclo de suas águas, transformam suas identidades no movimento. Conclui Barone, “cada personagem busca a reafirmação de sua identidade a seu modo: Nozomi, a gueixa fotografada pelo militar, quer seu retrato, quer mostrar a todos o que a bomba causou em seu rosto, como em tantos outros. Hanako, a gueixa cega, liga-se a sua casa, próxima ao local onde a bomba foi explodida, mantendo viva a memória do local, antes da tragédia. Jana, uma judia sobrevivente dos campos de concentração da Tchecoslovaquia, adota uma filosofia de vida oriental, movida pela paz interna, pela paz de espírito. Sarah, também judia e vítima do holocausto, não resiste e abre mão da vida, feito a musa que entoava em seu canto”.

    Os Sete Afluentes Do Rio Ota estabelecer uma conexão entre as duas cidades destruídas pela bomba, Hiroshima e Nagazaki, o yin e yang mais uma vez se projeta na relação com a mulher receptiva do Oriente e o homem invasor do Ocidente. Japão e Estados Unidos em pólos opostos, nas explorações na ópera Madame Butterfly e na intervenção nuclear no “Rio Ota”.

    Na Hiroshima do fim do século XX, a chuva cai e o rio Ota segue em mutação recebendo todas as águas e seguindo em direção ao mar para se expandir. Esse é o chamado da peça: vamos afluir, ampliarmo-nos, o novo será gerado pelo movimento de cada um.

    Portanto, a experiência da mudança é solitária, mas o resultado é coletivo.

    E tudo flui, aflui, conflui, e agora também influi, mas sem a intenção de dominar. E sim de transformar o movimento em vida. O som do trovão, em grito de sobrevivência.

  • 03/12/2019 - Série do Canal Brasil, ‘Noturnos’.
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    Série do Canal Brasil, ‘Noturnos’.

    03/12

    Série do Canal Brasil, ‘Noturnos’ mostra contos de terror inspirados na obra de Vinicius de Moraes

    “Noturnos”, nova série do Canal Brasil, faz uma releitura da obra de Vinicius de Moraes. A produção tem estreia prevista para o primeiro semestre de 2020, terá seis episódios de 35 minutos e mostrará contos e poemas de Vinicius adaptados ao gênero terror, o que certamente é um gênero com o qual o público não associa o poeta.

    A série terá como pontapé inicial fragmentos de contos curtos de Vinicius de Moraes, como “A Grande Voz”, “Balada do Morto Vivo”, “Conto Carioca”, “Conto Rápido”, “O Mágico”, “Operário em Construção” e “O Incriado”.

    O elenco conta com atores como Andrea Marquee, Marjorie Estiano, Ícaro Silva, Rafael Losso e Vaneza Oliveira.

    A Trama
    A produção mostrará atores de uma companhia teatral que se encontram presos no teatro por conta de uma tempestade que está afetando toda a cidade. Para passar o tempo, eles começam a contar histórias e trocar experiências que fazem referência a vários subgêneros dentro do gênero terror, que vão do gore ao terror psicológico.

  • 01/12/2019 - Marjorie Estiano participa da Segunda Temporada da série Mulheres Fantásticas
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    Marjorie Estiano participa da Segunda Temporada da série Mulheres Fantásticas

    Segunda temporada da série estreia neste domingo com novas histórias

    Mulheres inspiradoras que fizeram história e uma nova geração que abre caminhos inéditos na sociedade estão de volta na segunda temporada da série ‘Mulheres Fantásticas’, que o Fantástico exibe a partir deste domingo, dia 01.

    A série que mistura linguagem documental e animação é toda escrita, roteirizada, ilustrada, animada, produzida e editada por um time feminino, capitaneado pela supervisora artística Daniela Ocampo. Desta vez, seis episódios vão contar as trajetórias de Nannerl Mozart, Maria Sibylla, Carolina de Jesus, Wangari Maathai, Maria Baderna e Amelia Earhart. Talentos como Adriana Calcanhoto, Marjorie Estiano, Zezé Motta, Camila Pitanga, Leandra Leal e Alice Wegmann emprestam suas vozes para contar essas histórias.

    Na sequência, uma matéria jornalística com Poliana Abritta faz a conexão entre as personagens apresentadas e a atualidade.

    Na estreia, Adriana Calcanhotto narra a história de Nannerl Mozart, que até os 17 anos se apresentava junto com Wolfgang Amadeus Mozar por toda Europa.

    Nos próximos domingos, os destaques serão a aviadora Amelia Earhart, narrada por Alice Wegmann, a escritora Carolina Maria de Jesus, por Zezé Motta e Conceição Evaristo, a ilustradora Maria Sibylla, por Marjorie Estiano, a ativista Wangari Maathai, por Camila Pitanga, e a bailarina Maria Baderna, por Leandra Leal.

    Fonte: Comunicação Globo

  • 29/11/2019 - Série Entre Irmãs estreia no Canal Brasil
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    Série Entre Irmãs estreia no Canal Brasil

    Série Entre Irmãs estreia no Canal Brasil

    Estreia nesta sexta, dia 29/11, às 22h30, no Canal Brasil a série Entre Irmãs. A atração é uma adaptação para a TV do filme homônimo, que, por sua vez, é uma adaptação do romance de Frances de Pontes Peebles, A Costureira e o Cangaceiro.

    Emília (Marjorie Estiano) e Luzia (Nanda Costa) nasceram no agreste pernambucano de Taguatiringa do Norte, na década de 1930. A primeira é sonhadora e pensa em se mudar para a capital do estado, enquanto a segunda demonstra-se conformada com seu estilo de vida simples.

    Com personalidades diferentes, elas tomam caminhos opostos. Emília conhece Degas (Rômulo Estrela), filho de uma família tradicional de Recife, com quem se casa e abandona o sertão. Luzia segue ao lado dos cangaceiros liderados por Carcará (Júlio Machado), capitão de um agressivo bando revolucionário. A história delas segue em paralelo, sem nunca deixar, no entanto, o elo de fraternidade que as une.

    A série é dirigida por Breno Silveira, com roteiro de Patrícia Andrade. Júlio Machado, Ângelo Antonio, Letícia Colin e Cláudio Jaborandy completam o elenco.

  • 26/11/2019 - O look upcycling de Marjorie Estiano no Emmy Internacional
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    O look upcycling de Marjorie Estiano no Emmy Internacional

    O look upcycling de Marjorie Estiano no Emmy Internacional

    Ela foi indicada na categoria de Melhor Atriz por sua atuação em Sob Pressão

    Marjorie Estiano arrasou no tapete vermelho do Emmy Internacional, em Nova York, na noite da última segunda-feira (25). A atriz escolheu um vestido verde, fazendo alusão à bandeira brasileira, todo feito com uma técnica de upcycling, que cria novas peças a partir de retalhos de tecidos que seriam descartados. A peça foi assinada pela estilista Fabiana Milazzo.

    O vestido faz parte do projeto de sustentabilidade da marca, o Renovarte, criado no final de 2017. A iniciativa busca usar apenas pedaços de tecidos que a marca guardou durante anos, tornando a produção de moda menos nociva ao meio ambiente.

    Marjorie concorreu ao prêmio na categoria de “Melhor Atriz” por sua atuação na série Sob Pressão, da TV Globo.